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Mesmo
com mercado garantido, tanto interna como externamente,
a produção de húmus no Brasil
ainda é fruto de um sistema tradicional e
são raras as pesquisas sobre o assunto. Na
Zona da Mata, este quadro poderá sofrer alterações
com o lançamento de um sistema intensivo
de criação de minhocas, instalado
em galpões, com índices de produtividade
superiores aos de sistemas convencionais, com obtenção
de húmus de alta qualidade, sem que, em todas
as etapas do sistema, se esbarre em minhocas.
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Denominado Minhobox, o novo sistema está sendo desenvolvido,
com sucesso, pelo zootecnista, formado pela Universidade
Federal de Viçosa, Afrânio Augusto Guimarães,
em um sítio localizado em Juiz de Fora. Segundo ele,
a minhocultura, ou seja, a criação de minhocas,
que visa a produção de húmus, também
pode ter outras finalidades. O húmus é utilizado
como adubo orgânico e é um dos mais ricos em
nutrientes. Já a minhoca desidratada pode servir
de alimento para outros animais, como vacas, peixes e aves,
e até o ser humano. A minhoca também pode
ser vendida para a indústria farmacêutica e
funciona como remédio para doenças respiratórias,
além de ser utilizada como conservante de alimentos.
Segundo
Afrânio, o sistema Minhobox visa atingir, principalmente,
qualidade do produto e índices de produtividade mais
elevados, de forma a incrementar ainda mais a rentabilidade
da atividade, que tem uma margem de lucro de 300%. Ao contrário
do sistema tradicional, onde as minhocas são criadas
no chão, nesse novo sistema as minhocas são
instaladas em galpões, que comportam caixas suspensas
dispostas em baterias, com índices de produtividade
superiores aos de sistema convencionais, com a obtenção
de húmus de alta qualidade. A caixa é de alta
durabilidade e resistência, transportável,
acoplável a outra, com fundo falso em grade envolto
por lona plástica e boca coberta com juta.
Tradicionalmente,
os minhocultores criam a espécie denominada “vermelha-da-califórnia”
(Eisenia fetida), mas Afrânio Guimarães
optou pela “gigante-africana” (Eudrilus
eugeniae), que explica ele, tem garantido bons resultados.
A necessidade de desenvolver um novo sistema surgiu a partir
de algumas dificuldades com o método tradicional
como, por exemplo, o peneiramento de húmus, que acabava
provocando a morte de algumas minhocas. Através do
sistema Minhobox, o produtor não põe a mão
nas minhocas. Colocadas junto com substrato (esterco misturado)
e matéria vegetal decomposta após 25 dias,
elas se transferem voluntariamente para uma outra caixa,
onde há substrato fresco. Esse processo leva, em
média, cinco dias.
Outra
vantagem do Minhobox é que no sistema antigo, em
uma área de 100 metros quadrados, seriam obtidos
13 mil quilos de húmus, enquanto no novo sistema,
em uma mesma área, se conseguem quase três
vezes mais, ou seja, 40 mil quilos/mês. Além
disso, explica Afrânio Guimarães, o sistema
permite isolamento total contra predadores e há um
conforto térmico, pois o sistema não permite
o resfriamento do susbstrato. Afrânio Guimarães
destaca ainda que há uma maior possibilidade do controle
zootécnico e o índice de resíduo, que
no sistema tradicional é de 20%, no Minhobox é
de 5%.
Esse
novo sistema está em fase de teste desde julho do
ano passado e agora está sendo divulgado através
de cursos em cidades da região e do Estado. Cada
Minhobox custa oito URVs. E há possibilidade de se
desenvolver este sistema inclusive, em apartamentos. O sistema
está sendo desenvolvido por Afrânio Guimarães
e por Guilherme Araújo Thees, também zootecnista.
Maiores informações podem ser obtidas pelo
telefone (32) 3211-4122. |