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As
oito mil espécies de minhoca que se calcula
existir no mundo podem se dividir em dois grandes
grupos de acordo com o hábito alimentar:
ou são detritívoras, por ingerirem
resíduos orgânicos, ou são
geófagas, por ingerirem terra.
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A
minhoca se alimenta de folhas e animais em decomposição
encontrados no solo. Para isso, come terra e retira dela
esses elementos, eliminando os restos nas fezes. Essa
mistura de cocô com terra é chamada húmus
e serve de adubo, ajudando a vegetação a
se desenvolver. Por dia, cada uma ingere quantidade de
solo equivalente ao seu peso.
Esse
anelídeo – categoria a qual a minhoca pertence,
por ter o corpo formado por anéis – deixa
o solo fértil e presta grande ajuda à plantação,
fazendo o papel de um verdadeiro trator. Ao cavar pequenos
túneis, revira camadas de terra e engole seus grãos
para se alimentar. Nessa tarefa, forma galerias subterrâneas
por onde o ar e a água entram mais facilmente,
nutrindo as raízes das plantas.
É
usada como isca porque se destaca na água pela
cor, cheiro e movimentos, atraindo o peixe, que aprecia
o sabor e seus nutrientes. A espécie puladeira-havaiana
(Amynthas gracilis) e gigante-africana (Eudrilus
eugeniae) são as melhores para pesca, entre
as criadas em cativeiro. Das cerca de 8 mil espécies,
300 vivem no Brasil. Seu tempo de vida varia e algumas
chegam a 16 anos. Prefere solos úmidos e há
espécies adaptadas a grandes altitudes e a temperaturas
abaixo de zero.
Minhocuçu
Há
minhocas de todos os tamanhos. A maior é a gigante-australiana
(Megascolides australis), com o corpo cor-de-rosa-acinzentada
e a cabeça vermelha, que chega a pesar 400 gramas,
ter 2 centímetros de diâmetro e atingir quase
3 metros de comprimento.
Toda
minhoca grande é chamada de minhocuçu (variação
de minhocaçu). No Brasil, a maior é o minhocuçu-mineiro
(Rhinodrilus alatus), com até 2 metros,
e a menor é a Marionina pituca, com menos de 1
centímetro, bem menor do que um grão de
arroz. Nem macho, nem fêmea. Não há
minhoca macho ou fêmea. Todas têm os dois
sexos e, por isso, são chamadas de hermafroditas.
Os
dois órgãos reprodutores ficam no clitelo,
estrutura parecida com anel localizada na parte externa
do corpo, perto da cabeça.
Mesmo
assim, uma minhoca precisa de outra para se reproduzir.
Os animais se unem com a cabeça em direção
oposta, trocam espermatozóides (célula reprodutora
masculina), e as duas geram filhotes. O óvulo (célula
reprodutora feminina) é fecundado no casulo, estrutura
que se forma após o acasalamento.
Saiba Mais
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A minhoca é utilizada na alimentação
humana há milhares de anos por ter proteínas,
vitaminas e minerais. É consumida na forma de farinha,
como ingrediente de sopas e outras receitas. Os chineses
fazem sopa com o próprio anelídeo, e os
índios makiritare, da Venezuela, se alimentam de
uma espécie azulada, que tem 50 cm de comprimento.
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A minhoca era adorada no antigo Egito porque fertilizava
as margens do Rio Nilo. Recebeu da rainha Cleópatra
o título de animal sagrado. Ela mandava matar quem
a levasse para outro território.
Faça um minhocário
É
fácil fazer um minhocário para poder observar
o papel das minhocas na natureza. Você vai precisar
de terra, areia, folhas de árvore, garrafa PET,
pano grosso, papel alumínio e minhocas. Confira:
1.Prepare
uma mistura de terra com folhas já em decomposição.
Você pode recolher as que já caíram
da árvore.
2.Pegue
a garrafa PET, corte o gargalo fora e faça furos
no fundo. Coloque uma camada de areia, uma camada da mistura
preparada e uma de terra. Repita isso até faltar
de 8 a 10 cm para encher a garrafa. Cada camada deve ter
2 cm.
3.Coloque
três ou quatro minhocas. Cubra a superfície
com folhas de verdura velha e coloque meio copo de água.
4.Cubra
a garrafa com pano e envolva-a com papel alumínio
para que as minhocas não percebam a luz.
5.Só
destampe a garrafa duas vezes por semana para acrescentar
mais folhas. Diariamente, retire o papel alumínio
para observar, mas cubra de novo. Acompanhe o trabalho
das minhocas por, no mínimo, quatro semanas para
notar as diferenças.