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MINHOCULTURA NO HARAS
Minhocultura no haras (agosto 2007)

Se aproveitado como matéria-prima na minhocultura, o esterco de cavalos, puro ou misturado à serragem de madeira ou feno, pode gerar renda extra para cobrir despesas do haras.

         Ele não encontraria jamais a imponência e nem o brilho das crinas de um corcel negro numa singela minhoca, mas o eqüinocultor pode galopar de satisfação se associar seu haras com a minhocultura. Ligando a criação de cavalo com a de minhoca, ao esterco produzido pelo primeiro, a outra dá destino rentável em dose cavalar.
         E cai do cavalo quem diga que o esterco eqüino não tenha utilidade e muito menos sirva para suprir um minhocário. A exemplo de outras atividades zootécnicas, como a pecuária leiteira, o confinamento de bois e a exploração comercial de aves, porcos, ovelhas, cabras e outros animais, a criação de cavalos, mulas e jumentos gera um resíduo orgânico de boa qualidade que estriba um haras ao transformá-lo em alimento de minhocas.
         Através das técnicas de minhocultura em caixas e em colchões plásticos, o esterco recolhido das baias e piquetes, puros ou misturados à serragem de madeira ou feno descartado, pode perfeitamente se converter em renda extra para custear os gastos rotineiros com a compra de ração e medicamento para os animais.
         Um caminhão desse lixo, através dos métodos de criação de minhocas Minhobox ou Minhobed, pode gerar, por exemplo, três mil quilos de húmus de minhocas por mês, comercializáveis ao preço que varia entre R$300,00 a R$800,00 por tonelada, conforme a apresentação do produto: a granel ou embalado em pacotes de pesos menores.
         Através desses seis metros cúbicos dos resíduos de haras, também se pode obter dezesseis quilos de farinha de minhocas mensalmente, avaliados no mercado em mais de R$2000,00, para compor a dieta de peixes ornamentais e passarinhos, como suplemento protéico.
         Um criatório de minhocas em caixas ou colchões cheias com esse mesmo volume do esterco eqüino ajuntado com o material absorvente das baias também podem obter quarenta e cinco milheiros de iscas todo mês, com a possibilidade de serem vendidos a R$4500,00 a pescadores.
         Por outro lado, o criador de cavalos tem também a alternativa de utilizar toda a produção do minhocário em prol de sua propriedade: o húmus das minhocas pode fertilizar o solo das capineiras com melhor êxito do que se fosse aplicado o esterco apenas curtido e as minhocas desidratadas podem ser fornecidas aos próprios cavalos, suprindo a exigência de proteína, fornecendo-lhes aminoácidos de excelente qualidade e agindo como potente suplemento mineral e vitamínico, por disponibilizar, principalmente, o ferro e a vitamina B.
         E o eqüinocultor não pode tirar o cavalo da chuva ao deixar de investir na minhocultura por entender de que se trata de uma atividade onerosa. Além de se despender com pouco capital na implantação de um minhocário, os custos diretos na produção de húmus e minhocas, representados principalmente pela mão-de-obra e matéria-prima, são inexpressivos, considerando-se que já dispõe do esterco para abastecer o minhocário e pode dirigir serviços a algum tratador de cavalo menos ocupado.
         Num haras consorciado com a minhocultura, se porventura se deparar com um cavaleiro montado batendo seu chapéu no pescoço do cavalo, compreenda como um gesto de gratidão. Lá mesmo, ao ver um ginete batendo sua ferradura ao solo, compreenda como o cumprimento as suas parceiras que vivem aos seus pés.

         O húmus produzido através do esterco puro de cavalos ou da cama que os repousa e absorve suas dejeções pode ser aplicado nas capineiras do haras e comercializado em floriculturas, supermercados e casas agropecuárias.
         Práticos, organizados e compactos, os minhocários em caixas podem ser instalados em baias ou estábulos desocupados e priorizados também para obter minhocas para pesca ou para nutrição animal, com preços de mercados interessantes.
         Além de baixo investimento para implantação, os minhocários em colchões plásticos têm custo operacional irrelevante, podendo ser conduzidos por qualquer funcionário que não tenha todo o tempo ocupado com a rotina de serviços do haras.
Afrânio Augusto Guimarães – zootecnista / MINHOBOX
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ã Copirraite Afrânio Augusto Guimarães
Zootecnista Minhobox