ESTADO DE MINAS - Produção de húmus vai ter impulso na região (junho 1994)
         Mesmo com mercado garantido, tanto interna como externamente, a produção de húmus no Brasil ainda é fruto de um sistema tradicional e são raras as pesquisas sobre o assunto. Na Zona da Mata, este quadro poderá sofrer alterações com o lançamento de um sistema intensivo de criação de minhocas, instalado em galpões, com índices de produtividade superiores aos de sistemas convencionais, com obtenção de húmus de alta qualidade, sem que, em todas as etapas do sistema, se esbarre em minhocas.
         Denominado Minhobox, o novo sistema está sendo desenvolvido, com sucesso, pelo zootecnista, formado pela Universidade Federal de Viçosa, Afrânio Augusto Guimarães, em um sítio localizado em Juiz de Fora. Segundo ele, a minhocultura, ou seja, a criação de minhocas, que visa a produção de húmus, também pode ter outras finalidades. O húmus é utilizado como adubo orgânico e é um dos mais ricos em nutrientes. Já a minhoca desidratada pode servir de alimento para outros animais, como vacas, peixes e aves, e até o ser humano. A minhoca também pode ser vendida para a indústria farmacêutica e funciona como remédio para doenças respiratórias, além de ser utilizada como conservante de alimentos.
         Segundo Afrânio, o sistema Minhobox visa atingir, principalmente, qualidade do produto e índices de produtividade mais elevados, de forma a incrementar ainda mais a rentabilidade da atividade, que tem uma margem de lucro de 300%. Ao contrário do sistema tradicional, onde as minhocas são criadas no chão, nesse novo sistema as minhocas são instaladas em galpões, que comportam caixas suspensas dispostas em baterias, com índices de produtividade superiores aos de sistema convencionais, com a obtenção de húmus de alta qualidade. A caixa é de alta durabilidade e resistência, transportável, acoplável a outra, com fundo falso em grade envolto por lona plástica e boca coberta com juta.
         Tradicionalmente, os minhocultores criam a espécie denominada “vermelha-da-califórnia” (Eisenia fetida), mas Afrânio Guimarães optou pela “gigante-africana” (Eudrilus eugeniae), que explica ele, tem garantido bons resultados. A necessidade de desenvolver um novo sistema surgiu a partir de algumas dificuldades com o método tradicional como, por exemplo, o peneiramento de húmus, que acabava provocando a morte de algumas minhocas. Através do sistema Minhobox, o produtor não põe a mão nas minhocas. Colocadas junto com substrato (esterco misturado) e matéria vegetal decomposta após 25 dias, elas se transferem voluntariamente para uma outra caixa, onde há substrato fresco. Esse processo leva, em média, cinco dias.
         Outra vantagem do Minhobox é que no sistema antigo, em uma área de 100 metros quadrados, seriam obtidos 13 mil quilos de húmus, enquanto no novo sistema, em uma mesma área, se conseguem quase três vezes mais, ou seja, 40 mil quilos/mês. Além disso, explica Afrânio Guimarães, o sistema permite isolamento total contra predadores e há um conforto térmico, pois o sistema não permite o resfriamento do susbstrato. Afrânio Guimarães destaca ainda que há uma maior possibilidade do controle zootécnico e o índice de resíduo, que no sistema tradicional é de 20%, no Minhobox é de 5%.
         Esse novo sistema está em fase de teste desde julho do ano passado e agora está sendo divulgado através de cursos em cidades da região e do Estado. Cada Minhobox custa oito URVs. E há possibilidade de se desenvolver este sistema inclusive, em apartamentos. O sistema está sendo desenvolvido por Afrânio Guimarães e por Guilherme Araújo Thees, também zootecnista. Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (32) 3211-4122.