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Minhocário 2169

 

O minhocário é suprido pelo esterco de vacas em lactação recolhido no curral em que esperam ser ordenhadas, na sala de ordenha e num piso concretado na base de um cocho de um piquete em que são mantidas e alimentadas durante a maior parte do dia. Ainda fresca, a matéria-prima é levada ao minhocário, localizado nas proximidades, para ser prontamente submetida ao tratamento que a converterá em alimento para minhocas.

 

Em dias alternados, as leiras de esterco são reviradas com o auxílio do vira-leira, um revolvedor motorizado que as uniformiza, reduz a temperatura do interior delas e lhes promove a aeração. Após vinte e cinco dias, as leiras inicialmente verdes, malcheirosas e quentes se convertem num substrato escurecido, com temperatura interna igual à do ambiente, inodoro e composto por grânulos uniformes com diâmetro médio de uns dois centímetros.

 

Concomitantemente aos revolvimentos, a matéria-prima é permanentemente hidratada para se manter a umidade desejada de sessenta por cento através de um irrigador sobreposto às leiras. Eficaz e econômico, este implemento esborrifa água nas leiras com uniformidade, evitando acúmulos isolados que poderiam escorrer e gerar o desperdício típico dos meios convencionais de irrigação.

 

 

Depois de transportadas e descarregadas, as caixas contendo bolsas com as matrizes se mantiveram abertas num galpão à espera da inoculação. Durante os primeiros quatro meses após a implantação, o manejo de povoamento do Minhobed fez com que doze colônias reprodutoras se multiplicassem em trinta colônias humificadoras, considerando-se que o produto priorizado do minhocário é húmus de minhocas.

 

Com o auxílio de tirantes e estacas, o colchão plástico é montado e colocado numa posição pré-estipulada no Minhotúnel. Depois de aferida a umidade para oitenta por cento, o substrato é levado e despejado nos colchões com carrinho de mão. Utilizando uma pequena enxada plástica, o substrato é esparramado uniformemente no colchão para preenchê-lo completamente e a superfície do conteúdo é estrategicamente aplanada.

 

Depois de montado o colchão e preenchido com substrato, as colônias reprodutoras são inoculadas: o conteúdo de duas bolsas é despejado por sobre dois cestos dispostos em cada colchão. Atraídas pela umidade mais elevada do substrato do colchão receptor e afugentadas pela claridade do ambiente, as matrizes se deslocam para baixo e transpassam pela malha dos cestos, se separando do substrato de transporte.

 

O minhocário é abrigado em dois minhotúneis com duzentos e dezesseis metros quadrados que comportam seis UPH (Unidade de Produção de Húmus) do sistema industrial de minhocultura horizontal em colchões plásticos. Trinta e seis colchões produzem doze toneladas de húmus mensalmente, consomem o esterco de vinte e quatro vacas neste período e gastam o serviço de um único funcionário com o tratamento da matéria-prima e o manejo do criatório.

 

A implantação foi assistida pelo zootecnista da Minhobox, Afrânio Augusto Guimarães, que repassou a tecnologia Minhobed a funcionários da propriedade. Além de poderem registrar as ações e se orientarem como fazê-las através de um aplicativo pela Internet, os minhocultores receberam orientações do técnico de como manejar a plaqueta-calendário que utiliza pinos discriminados com cores relativas a cada um dos colchões.

 

Após o beneficiamento que remove pequenas porções de impurezas e partículas do substrato não humificadas através de uma peneira motorizada, o húmus de minhocas é embalado com dois, cinco e vinte e cinco quilos em sacos personalizados com a logomarca Diamante, o nome da fazenda. O produto é escoado a agricultores, floriculturas e casas agropecuárias das cidades circunvizinhas à propriedade.

 

Afrânio Augusto Guimarães – zootecnista / MINHOBOX
Jornal da Minhoca - edição 76 - julho de 2017
Atualizada em setembro de 2017