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Vermelha-tigrada

  • Vermelha-tigrada
  • Potente para a minhocultura e confundida com sua prima cosmopolita, esta minhoca listrada expele líquido com cheiro de alho.

Com finas faixas despigmentadas da região que circunda o sulco entre os anéis e que deixam transparecer a cor áurea do líquido que preenche seu corpo, a vermelha-tigrada é uma minhoca que se colore com listras bem definidas e alternadas de amarelo com marrom-avermelhado, lhe valendo a comparação com a pelagem de um tigre.

Originária da Europa Ocidental, a vermelha-tigrada é classificada como espécie epigéica estraminicícola quanto à distribuição no solo, por viver, preferencialmente, nas camadas superficiais onde a porosidade é maior e há abundância de resíduos orgânicos decompostos e em decomposição. Isto lhe permite integrar o grupo seleto de minhocas adotadas na minhocultura com aptidão para a exploração comercial. A natureza metabólica intensiva da vermelha-tigrada, que lhe possibilita apresentar desenvolvimento rápido, prolificidade acentuada, alcance precoce da maturidade sexual e incubação rápida da incubação de casulos, requer naturalmente a exigência de viver em substratos com características típicas dos extratos superiores, que são nutricionalmente ricos e com disponibilidade elevada de oxigênio.

Além de sua natureza detritívora, a apropriação da vermelha-tigrada para a minhocultura universal se justifica pela versatilidade em reciclar os mais diversificados resíduos orgânicos, pela adaptabilidade aos variados tipos de clima, sem apresentar sazonalidade na atividade mesmo numa faixa extensa de temperaturas, e pela tolerância às adversidades impostas pelos criadores incipientes e menos conhecedores.

Sob a descrição taxonômica, a vermelha-tigrada faz parte da importante família Lumbricidae em que se agrupam minhocas que possuem dois pares de sacos testiculares e dois pares de funis espermáticos nos segmentos dez e onze, sem próstatas, com ovários no segmento treze e clitelo em formato de sela que se inicia atrás dos poros masculinos situados no segmento quinze.

O líquido celomático — o fluido viscoso que preenche o corpo das minhocas e que têm o papel importante na locomoção, na respiração, no acasalamento, na postura de casulos, na proteção contra enfermidades e na construção de galerias — da vermelha-tigrada, há uma função peculiar: presume-se que o odor forte de alho do líquido celômico expelido por esta minhoca quando molestada sirva para afugentar seus predadores, especialmente os pássaros. Esta particularidade, inclusive, comum nas espécies do gênero Eisenia, impeliu ao seu descobridor em 1826, de lhe designar com o sobrenome científico fetida, que em latim significa fedida, malcheirosa. Por este cheiro característico, nos países de língua inglesa, a vermelha-tigrada é conhecida como garlic worm, ou seja, minhoca-alho.

Ao lado de abelhas, algas, peixes, mini-crustáceos e ouriços, a Eisenia fetida e sua “prima” Eisenia andrei são as principais cobaias em testes de ecotoxicologia, a ciência que estuda as intoxicações, os venenos que as produzem, seus sintomas, efeitos, antídotos e métodos de análise. Antes de qualquer lançamento de produto agrotóxico, os experimentos ecotoxicológicos são fundamentais para se determinar o poder letal de inseticidas, herbicidas, bactericidas e fungicidas: as minhocas definem a intensidade dos malefícios que podem trazer à natureza e ao homem. Os diversos institutos internacionais que balizam os parâmetros dos testes ecotoxicológicos estabelecem o uso das duas espécies como bioindicadoras justamente porque entendem que respondem bem às exigências dos ensaios: além do êxito da criação delas em pequenos recipientes sob condições laboratoriais, a Eisenia fetida e a Eisenia fetida reagem claramente ao envenenamento.

Entretanto, há um equívoco histórico no universo da minhocultura e no meio científico ao se denominar as espécies-primas vermelha-tigrada e vermelha-da-califórnia: quase sempre, ambas as minhocas são cientificamente discriminadas por Eisenia fetida. O engano consiste em atribuir nome trocado — a espécie em questão é a Eisenia andrei mas foi tratada como Eisenia fetida — ou em não se discriminar as espécies — qualquer uma delas tem o nome científico de Eisenia fetida. Em decorrência da diferença branda na pigmentação, as duas espécies já foram classificadas como duas raças de Eisenia fetida e até como duas subespécies, Eisenia foetida foetida e Eisenia foetida unicolour. Eisenia foetida, aliás, é uma denominação incorreta, muito citada pela literatura, e não admitida por taxônomos de oligoquetas. A Eisenia fetida foi descrita em 1826 por Savigny,J.C. e a Eisenia andrei por Bouché M.B., em 1972. Entretanto, um experimento coordenado pelo biólogo Jorge Dominguez, da Universidade de Vigo, parece ter posto fim na denominação controversa das duas espécies de minhocas mais utilizadas na minhocultura mundial. No laboratório da escola espanhola, o cientista e seus auxiliares estudaram o cruzamento entre as duas espécies oriundas de regiões diferentes, incluindo exemplares do Brasil, do minhocário da Minhobox, observando aspectos reprodutivos, como a produção e a viabilidade de casulos. Em conformidade com as definições biológicas de espécie, os resultados do experimento comprovaram que E. fetida e E. andrei são duas espécies biologicamente diferentes porque os cruzamentos entre ambas não geraram descendentes viáveis.

 

Sempre que for removida do substrato, se sentir vulnerável ao ataque de algum inimigo natural ou incomodada de alguma maneira, a vermelha-tigrada excreta o líquido celomático em quantidade superior ao que normalmente o elimina para suas funções vitais, gerando sobre sua pele um acúmulo do fluido amarelado e malcheiroso: o odor característico de alho tem a função presumida de proteção contra predadores.

 

Como em todo cruzamento entre espécies diferentes, Eisenia andrei acasalando-se com Eisenia fetida gera alguma anormalidade: ainda que a primeira geração resulte espécimes sem anomalias sexuais, a maioria dos indivíduos produzidos por ela é estéril e se envelhece sem apresentar marcas pubertais. Esta condição improlífera, comprovada nos ensaios no laboratório da Minhobox, deve ser considerada e evitada numa minhocultura porque, sem a possibilidade de renovação, o plantel de minhocas pode se extinguir.

 

Embora sejam morfologicamente semelhantes, as duas espécies da família Lumbricidae possuem caracteres externos diferenciadores. A minhoca E. fetida apresenta traços evidentes ao longo do corpo e uma despigmentação na área que circunda o sulco entre seus segmentos, por onde transparece a cor pálida e amarela do fluido interno que preenche seu corpo, o líquido celomático. Em contrapartida, a Eisenia andrei corresponde à espécie uniformemente avermelhada com listras pouco evidentes. O comportamento das duas espécies também se difere: quando removidas de um mesmo substrato, a espécie vermelha-tigrada se desloca com mais velocidade à procura de um refúgio, o que se faz pressupor que as taxias, como a aversão à luminosidade e à falta de substrato, sejam mais aguçadas nesta espécie. Na minhocultura, a capacidade de humificação de ambas é muito similar, destacando-se uma pequena desvantagem reprodutiva para a Eisenia fetida.

 

Assim que se tornam maduras sexualmente, já com 30 a 45 dias, as minhocas vermelha-tigrada, depois de copularem por algumas horas – durante o acasalamento, a região de junção é revestida por um muco secretado pelo clitelo de ambas – produzem casulos ovalados e dilatados de cor amarelo-esverdeada que permanecem em incubação por até 3 semanas. Depois do desenvolvimento embrionário, que torna os casulos amarronzados, eclodem indivíduos despigmentados em número médio de 3 por cápsula, medindo cerca de 0,4cm de comprimento. Ao final de um ano, duas minhocas vermelha-tigradas geram, aproximadamente, 3 mil descendentes.

 

Afrânio Augusto Guimarães – zootecnista / MINHOBOX
Jornal da Minhoca - edição 67 - dezembro de 2013
Atualizada em novembro de 2021
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