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Minhocas endogéicas

  • Minhocas endogéicas
  • Exímias escavadoras, as minhocas endogéicas possuem adaptações anatômicas e fisiológicas para sobreviverem às hostilidades do solo mineral.

Embora haja várias formas de agrupar as minhocas, as mais de quatro mil espécies já classificadas podem ser reunidas principalmente conforme a distribuição predominante no solo. Minhocas endogéicas — palavra formada pela aglutinação de “éndon” e “geo” que, em grego, significam a posição interior da terra — compreendem nas espécies que habitam preferencialmente o solo mineral e de onde ingerem terra incorporada com microrganismos e pouca matéria orgânica. Na camada superior do solo, onde há acúmulo de resíduos orgânicos provenientes de vegetais e fezes de animais em decomposição, vive um segundo grupo de minhocas: as espécies epigéicas. As minhocas anécicas, por fim, são representadas por um terceiro grupo de espécies que vivem no solo mineral e, através de seus túneis verticais, acessam a superfície para ingerirem substrato em rico em matéria orgânica.

Para classificar as minhocas endogéicas, estabeleceu-se uma subdivisão definida pela profundidade em que se distribuem no solo: epiendogéicas, as espécies que vivem até os primeiros dez centímetros do solo e hipoendogéicas, as que se situam abaixo deste limite. Outra forma de agrupá-las considera a disponibilidade de matéria orgânica do solo mineral e seus comprimentos: as espécies oligohúmicas, por exemplo, vivem em extratos profundos pouco providos de matéria orgânica e medem mais que vinte centímetros. As espécies polihúmicas habitam as camadas do solo mineral com alto percentual de matéria orgânica e têm o comprimento inferior a dez centímetros e as espécies mesohúmicas ocorrem nas camadas do solo indistintamente e medem entre dez a vinte centímetros.

Deslocando-se em solos compactos e deixando o líquido celomático por onde passam, estas minhocas moldam túneis firmes com o formato e espessura de seus corpos. Ainda que as galerias prevalecentes sejam as horizontais, as minhocas endogéicas constroem também túneis verticais ao recorrerem à superfície para eliminar suas fezes e buscar por outras fontes de alimentos. Geralmente, estas formações apresentam lateralmente alguns compartimentos curtos e ovalados em forma de câmara destinados à postura e à incubação de seus casulos.

 

Especializações anatômicas e fisiológicas

Em analogia com as espécies epigéicas, que vivem nos extratos superficiais do solo, caracterizados, principalmente, pela abundância de matéria orgânica, o sustento de toda minhoca, as endogéicas apresentam particularidades fisiológicas e anatômicas especiais que lhes permitem viver sob as condições desfavoráveis dos solos minerais.

Como ingerem um substrato predominantemente silicioso, a moela tem consistência mais fibrosa para poder receber e triturar a pouca matéria orgânica misturada a muitos grânulos de terra, antes de encaminhá-lo ao intestino para se submeter à digestão, sob forte ação enzimática, e absorção. Nesta seção do tubo digestivo, as minhocas endogéicas possuem mais prolongada a tiflossole, uma dobra longitudinal que invade a linha média dorsal do intestino da minhoca e que, por expandir a superfície de contato da parede intestinal, aproveita melhor os nutrientes do alimento ingerido.

Mesmo com tanta adaptação digestiva, as minhocas endogéicas ainda precisam se alimentar permanentemente e estar com o intestino frequentemente preenchido para maximizar a absorção do alimento nutricionalmente pobre que ingerem. Assim, com o tubo digestivo sempre cheio de terra, o corpo destas minhocas ganha consistência e firmeza que lhes favorecem no rompimento de solos duros, permitem tolerar a pressão da sobrecarga ao longo do corpo e permitem a movimentação para a busca da sobrevivência.

As cerdas, que têm a função prioritária de apoiar as minhocas na locomoção, nas espécies endogéicas são especialmente mais consistentes e rígidas para melhor apoiá-las nas paredes dos túneis e lhes possibilitarem a movimentar melhor.

Por ser mais denso e duro, o solo mineral apresenta porosidade baixa e, por conseguinte, disponibilidade de oxigênio menor. As minhocas endogéicas são adaptadas a viver sob condições precárias de oxigenação, podendo encontrá-las até em grandes profundidades: ao sul da Rússia, em 1982, encontraram-se exemplares da espécie Octolasium mariupoliensis a oito metros da superfície do solo.

 

A espécie Pontoscolex corethrurus, minhoca endogéica originária do Platô Guianenensis de onde se dispersou amplamente, além de rosa-mansa, o nome comum que alude a sua cor e quietude, também é conhecida por rabo-de-escova, em referência às cerdas modificadas de sua extremidade caudal que são duras e salientes, como os pêlos de uma escova. Presume-se que esta diferenciação permita à minhoca fixar sua cauda rugosa na galeria de um solo duro para empurrá-lo com a cabeça e poder seguir com a construção de seu túnel e evoluir no seu deslocamento. Se este recurso não conseguir esta função, a rosa-mansa come a terra a sua frente só para caminhar.

 

Adaptável às hostilidades como toda espécie endogéica, o minhocuçu-mineiro (Rhinodrilus alatus) sobrevive anualmente ao severo défice hídrico do serrado em que vive entrando em quiescência: para isto, ao final do verão, esta minhoca constrói uma câmara de uns cinco centímetros de diâmetro conectada com a superfície do solo através de dois túneis. A extremidade de um deles é tapada com as fezes do minhocuçu naturalmente endurecidas depois do ressecamento e a outra se mantém desobstruída para receber a pouca umidade proveniente do orvalho produzido na estação seca. Durante a quiescência, o minhocuçu permanece enovelado para diminuir a superfície vulnerável à desidratação e seu tubo digestivo se preenche com a própria terra ingerida na construção dos túneis e da câmara. O início das chuvas determina o término da quiescência e a saída da câmara para voltarem a se alimentar e reproduzir.

 

Importância na natureza

Na natureza, as espécies endogéicas desempenham papel importante na mineralização da matéria orgânica dos extratos mais inferiores do solo, principalmente oriunda da decomposição de raízes e da lixiviação de restos do extratos superiores, e na drenagem destas camadas ao construírem as galerias predominantemente horizontais. Entretanto, ao emergirem à superfície para excretarem seus coprólitos, levam porções menos férteis do solo para cima, empobrecendo as camadas superiores, naturalmente cobertas com deposição de resíduos orgânicos, e, às vezes, de tão rígidas e vultosas, geram uma capa no terreno, diminuindo a porosidade e a drenagem, consequentemente.

 

Depositando os coprólitos na superfície, os minhocuçus carregam para cima as porções mais profundas e pobres do solo que ingerem e deixam irregularidades no terreno que dificultam as práticas agrícolas e podem causar acidentes em animais. De tão volumosas e rijas, estas formações obstruem os poros superficiais do solo, comprometendo a infiltração de água, minorando a porosidade do terreno e desfavorecendo o desenvolvimento vegetal.

 

Apropriação para a minhocultura

Como o baixo poder nutritivo do substrato em que vivem define a lentidão do ciclo de vida da maioria das espécies endogéicas, a exploração comercial desta classe de minhocas se torna relativamente menos favorável. Se comparadas com espécies epigéicas comumente adotadas na minhocultura, os prazos dos estágios de vida são extremamente diferentes. A incubação do casulo de uma minhoca comercial violeta-do-himalaia (Perionyx excavatus), por exemplo, demora quinze dias ao passo que o casulo do minhocuçu-mineiro (Rhinodrilus alatus), uma espécie endogéica, necessita de cinco meses para eclodir. A espécie epigéica vermelha-da-califórnia (Eisenia andrei) alcança a maturidade sexual com quarenta e cinco dias, muito menos do que os extensos quatro anos que os minhocuçus requerem para se tornarem maduros sexualmente.

 

Em se considerando que a coloração de uma minhoca seja um recurso para se esconderem dos predadores que não sejam subterrâneos, as minhocas endogéicas, a exemplo da espécie Aporrectodea rosea (vide foto), são despigmentadas ou têm coloração opaca, já que muito raramente se expõem aos perigos da superfície do solo. Há, entretanto, minhocas endogéicas que vagueiam fora da terra e que são pigmentadas em tons escuros e manchadas por várias cores, presumidamente para se assemelharem aos extratos superiores do solo e poderem se escamotear de aves, principalmente.

 

Os casulos esféricos e esbranquiçados de minhocas endogéicas da família latino-americana Glossoscolecidae são postos em derivações laterais ovaladas e curtas de seus túneis horizontais. À medida em que o embrião vai se desenvolvendo, o casulo se escurece paulatinamente até a eclosão.

 

Afrânio Augusto Guimarães – zootecnista / MINHOBOX
Jornal da Minhoca - edição 68 - junho de 2014
Atualizada em maio de 2020
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