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Líquido celomático

  • Líquido celomático
  • Importante na reprodução, locomoção, proteção, respiração e excreção, o líquido celomático preenche a minhoca.

O líquido celomático é o fluido leitoso presente na cavidade do corpo da minhoca, denominado celoma, de pigmentação variável do branco ao amarelo conforme a espécie, que desempenha funções importantes na vida do anelídeo.

Na respiração, o líquido celômico, como também é chamado o conteúdo interno do corpo da minhoca, é imprescindível porque uma minhoca só realiza trocas gasosas se sua cutícula estiver umedecida por ele. Caminhando na superfície de um piso seco e ensolarado, antes de falecer por perda de água corpórea, uma minhoca falece por asfixia em decorrência de ter desidratada sua pele.

O líquido celomático também tem sua função na reprodução da minhoca, especialmente na formação do casulo. Depois de horas de copulação, o par de minhocas se desprende e os clitelos de ambas secretam ao seu redor um líquido gelatinoso em forma de anel por onde penetram os óvulos. A minhoca, então, querendo se liberar deste anel, faz com que ele se escorregue em direção da cabeça, até que passa pelo poro da espermateca que expele os espermatozóides de sua parceira lá armazenados. Nesse momento, os óvulos se fertilizam. Continuando o deslocamento de repulsa, o anel finalmente sai pela cabeça, suas duas extremidades se fecham em forma de cápsula, uma de cada vez, originando casulos contendo embriões imersos num líquido albuminoso que lhes servirão de sustento durante a incubação. Durante todo esse processo, a cápsula envoltória só se escorrega facilmente pela pele da minhoca até a formação final do casulo por estar molhada pelo líquido celomático.

No sistema excretor, o líquido celomático age como um receptor de parte dos resíduos nitrogenados eliminados pelas células cloragógenas, o “fígado” alaranjado da minhoca. A excreta nitrogenada que circula livremente pelo sangue é transformada em amônia, uréia e creatina, e pode ter dois destinos: ou é retornada ao sangue ou é recolhida pelos nefrídios que a expulsam pela superfície do corpo.

Na movimentação da minhoca, o líquido celomático desempenha papel importante por ser o componente da distensão de seu corpo e por revestir sua cutícula, diminuindo o atrito em solos mais ressecados. Por ser incompressível, o líquido celomático funciona como esqueleto hidrostático que, por ação dos músculos, se desloca em forma de ondas dentro da cavidade do corpo da minhoca, alterando seu formato original. Para formar a galeria, a minhoca depois de perfurar ou empurrar o solo, excreta um muco ao longo de toda a sua cutícula que aglutina as partículas de terra que se justapõem ao seu corpo. Reveste-se, então o túnel por onde ela passa, formando paredes enrijecidas, que diminuem o atrito para passagens seguintes e mantém a umidade que exige a respiração.

Em algumas espécies de minhoca, o líquido celomático protege-as contra o ataque de predadores. As espécies Eisenia andrei e Eisenia fetida, por exemplo, expelem um líquido celomático amarelado com odor de alho, através da pele, sempre que molestadas: pressupõe-se que o cheiro forte sirva para repugnar e diminuir o apetite de pássaros, sapos e outros de seus consumidores. Aliás, o nome científico da segunda espécie faz alusão ao mau cheiro: em latim, fetida significa fedida. A espécie Didymogaster sylvaticus, por sua vez, nativa da região de Nova Gales, na Austrália, por lá conhecida como squirter earthworm — traduzindo, minhoca seringa —, quando incomodada pelos inimigos naturais, esguicha um líquido repulsivo composto de sais e excreta através de seus numerosos poros espalhados pelo dorso traseiro do seu corpo que pode chegar à distância de extensos cinqüenta centímetros.

A habilidade desenvolvida pela minhoca ao longo de sua antiga existência de sobreviver em ambientes inóspitos, repletos de microrganismos, se atribui à atividade de certos peptídeos. A imunidade adquirida pela minhoca contra o ataque de bactérias, fungos e vírus se deve à presença de fetidina e lisozima, presentes no líquido celomático.

Cristais de carbonato de cálcio, amebócitos (leucócitos que se movem e mudam de forma como as amebas), linfócitos (corpos com formato de disco com função imunizadora), mucocitos (corpos em forma de lente que dão a propriedade viscosa) e até microrganismos são os componentes diversificados do líquido celomático.

 

 Líquido celomático

Numa das etapas da fabricação da farinha de minhocas, os animais precisam ser higienizados. Além da evacuação prévia do conteúdo intestinal, o líquido celomático é eliminado antes de submeter as minhocas à desidratação.

 

 

Líquido celomático

 

Para moldar suas galerias, as minhocas endogéicas e anécicas dilatam seu corpo pelo mesmo mecanismo de locomoção e, com a eliminação do líquido celomático, mantém as paredes revestidas e firmes.

 

 

Líquido celomático

 

Quando incomodada, a espécie vermelha-tigrada (Eisenia fetida) expele um líquido celomático através da superfície do seu corpo de cor amarelada e com cheiro de alho.

 

 

Afrânio Augusto Guimarães – zootecnista / MINHOBOX
Jornal da Minhoca - edição 54 - abril de 2007
Atualizada em outubro de 2018

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Comentários
Domingos Sávio P. Monteiro
08/04/2014 - 12:41:22
Ótima matéria. Foi-me muito útil. Parabéns!
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