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Frio no minhocário

  • Frio no minhocário
  • Se mal protegida do frio, a criação pode se prejudicar com a extensão na humificação do substrato e baixa na reprodução das minhocas.

Sem mecanismos de termorregulação, a minhoca é classificada como peciloterma por apresentar temperatura interna do corpo variável conforme à do meio em que vive. Ao contrário dos répteis, anfíbios e moluscos, animais também de sangue-frio, a minhoca tem o corpo provido de um envoltório rudimentar e formado por cerca de noventa por cento de água, um componente de propriedade exímia na condução de calor, tornando-a mais susceptível às adversidades do frio excessivo.

No entanto, para se proteger de temperaturas desconfortáveis, a minhoca no seu hábita utiliza de certos artifícios que minimizam sua precariedade fisiológica. No inverno, as minhocas se dirigem segundo o geotropismo positivo que é a reação de aproximação em relação à força gravitacional: os indivíduos molestados descem para profundidades maiores para se distanciarem mais do frio que vem do meio externo e, às vezes, permanecem refugiados sob detritos vegetais que os isolam do desconforto térmico. Se ainda se sentirem importunadas pelo frio, há espécies que entram em estado de torpor, decrescem a atividade metabólica e se enovelam para diminuir a superfície de contato exposta à baixa temperatura.

A reação instintiva das minhocas na invernia também pode se reproduzir nos criatórios vulneráveis ao frio. A humificação é logo afetada: o período de tempo que se despende pelas minhocas no processamento de um determinado volume de substrato no verão, na estação fria do ano pode chegar a se duplicar. A queda do metabolismo que torna as minhocas menos ativas também influencia na capacidade reprodutiva: o anelídeo copula menos, por isto, coloca quantidade menor de casulos, e dos casulos botados, gera-se número inferior de filhotes à média que se eclodem por espécie. O desenvolvimento embrionário nos casulos também é retardado fazendo com que o tempo de incubação também se prolongue. Se o frio se intensificar e as minhocas não tolerarem a queda acentuada de temperatura, a permanência no interior do criatório passa a ser impossível e a tentativa de fuga é inevitável. Primeiramente, como dita o instinto, procuram as camadas mais inferiores do substrato e, se nem mesmo lá, as minhocas não encontrarem proteção ao frio, sobem à superfície do meio resfriado, arriscam a vida por exporem o corpo e escapam por cima em busca de um refúgio que lhes conforte. Morrem misturadas ao substrato as minhocas que porventura não conseguirem abandonar o interior do minhocário.

Observações feitas nas instalações da Minhobox constataram que a chegada de frentes-frias mais expressivas, caracterizadas por quedas abruptas de temperatura e pressão atmosférica, seguidas da formação de nevoeiros, acarretam na tentativa de fuga de minhocas. O comportamento de evasão das minhocas do criatório não se repete nos dias posteriores à chegada do fenômeno, mesmo se a temperatura continuar a decrescer.

A intolerância ao frio é notoriamente variável conforme à espécie de minhoca e estima-se que o comportamento de cada uma delas diante da adversidade seja coerente com o clima da região de origem. Aparentemente semelhantes, as minhocas comerciais gigante-africana (Eudrilus eugeniae) e vermelha-da-califórnia (Eisenia andrei) têm comportamentos completamente diferentes em dias mais frios. A gigante-africana criada em regiões de inverno rigoroso concentra sua atividade produtora nos dias mais quentes do ano. No mesmo período, pressupõe-se que esta espécie, autóctone do continente africano, compensa a inatividade reprodutora durante o frio e incrementa significativamente a postura de casulos. Seus órgãos reprodutores e marcas pubertais, até então pouco revelados, afloram com evidência durante o calor. A vermelha-da-califórnia, por sua vez, originária da Europa Ocidental, não apresenta a mesma sazonalidade de sua parceira dos criatórios: durante todo o ano, a atividade desta espécie se mantém regular e a reprodução oscila com pouca representação.

As etapas de transferência de minhocas nas duas técnicas de minhocultura, Minhobed e Minhobox, são mais aceleradas e eficientes durante os dias mais frios, já que as minhocas procuram migrar com maior rapidez para as caixas e colchões inferiores.

Os minhocários implantados em localidades de inverno rigoroso devem se precaver dos danos que trazem as adversidades do frio à produção de húmus e minhocas, abrigando-os em instalações cobertas e com laterais protegidas. O uso e fornecimento de matéria-prima às minhocas mal decomposta que permanece ainda em estado fermentativo gerando calor não é recomendável: sem poder mensurar e prever a temperatura que possa alcançar, a prática pode afugentar as minhocas por excesso de calor.

 

A maneira mais recomendável de proteger minhocários localizados em regiões de inverno rigoroso é abrigá-los em instalações fechadas (foto 2). As espécies comerciais gigante-africana, violeta-do-himalaia e aninha-verde, originárias de locais de clima tropical, criadas no sistema de minhocultura em caixas e em colchões plásticos, se transferem com menor rapidez durante os dias de temperaturas mais baixas (fotos 3 e 4).

 

Afrânio Augusto Guimarães – zootecnista / MINHOBOX
Jornal da Minhoca - edição 34 - março de 2000
Atualizada em junho de 2022

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