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Herbicida no esterco

  • Herbicida no esterco
  • Posso usar o esterco de bois alimentados com pasto tratado com o herbicida 2,4-D como matéria-prima para minha criação?
    Laezil Canal (Domingues Martins - ES)

O 2,4 D é um herbicida usado na largamente na Europa, na América do Norte e América do Sul para combater ervas daninhas de folhas largas disseminadas principalmente em cultivos da soja e de espécies gramíneas, como o milho, o sorgo, a cana-de-açúcar, o trigo, o arroz, a cevada e outras plantadas em pastagens. Na segunda Guerra Mundial e na Guerra do Vietnã, o 2,4-D foi usado como arma química e biológica para desintegrar florestas e afetar inimigos. Abreviatura do ácido diclorofenoxiacético, o 2,4-D é comercializado progressivamente há mais de seis décadas: atualmente, cento e vinte milhões de litros deste agrotóxico são comercializados todo ano.

Grande parte deste volume é consumido na aplicação em pastagens para combater espécies vegetais como a guanxuma (Sida cordifolia), o mata-pasto (Sida rhombifolia), o caruru-rasteiro (Amaranthus deflexus) e a beldroega (Portulaca oleracea) que competem por luz e nutrientes com as espécies gramíneas comumente adotadas como forrageiras para alimentar o gado.

A dúvida dos criadores sobre a possibilidade de alimentar minhocas com o esterco de bois que vão ao pasto tratado com um agrotóxico é comum e procedente. Os minhocultores, geralmente pactuados com as causas ecológicas, não querem obter os produtos da atividade associados com agrotóxicos e muito menos ter o desconforto de comprometer o sucesso de suas minhoculturas com a provável dizimação de suas minhocas.

Por sorte, uma das principais criaturas adotadas em testes ecotoxicológicos que avaliam o poder letal de inseticidas, herbicidas, bactericidas e fungicidas é justamente a minhoca. Coincidentemente, duas espécies das mais utilizadas na minhocultura, a Eisenia fetida e Eisenia andrei, são também cobaias titulares da ecotoxicologia, a ciência que estuda as intoxicações, os venenos que as produzem, seus sintomas, seus efeitos, seus antídotos e seus métodos de análise. Estas minhocas já foram largamente usadas em pesquisas balizadas por órgãos internacionalmente reconhecidos, como o ISSO (International Organization for Standardization), OECD (Organization for Economic Co-operation and Development) e EPA (Environmental Protection Agency – USA) que definiram a classificação ecotoxicológica do herbicida 2,4-D. Quando os ensaios somente investigaram a sobrevivência das minhocas mediante a contaminação excessiva com o 2,4-D, a duração se prolongou por um tempo curto e se recolheram dados de mortalidade no meio e no final das investigações. Sob estas circunstâncias, os testes comprovaram que o risco agudo é baixo, isto é, as minhocas foram plenamente tolerantes ao herbicida. Quando os ensaios tiveram duração maior, se buscaram as respostas nos aspectos reprodutivos e nas alterações funcionais das minhocas em decorrência de uma contaminação mais branda do 2,4-D. Nestas condições, os testes atestaram que o risco crônico é elevado, isto é, as minhocas apresentaram reduções nos padrões de desenvolvimento e reprodução.

Entretanto, os testes ecotoxicológicos do 2,4-D em minhocas que o classificaram como altamente tóxico não foram estabelecidos sob as mesmas particularidades de intoxicação que pode advir do esterco de bois alimentados em pasto tratado com o pesticida. O 2,4-D é um herbicida de meia-vida muito curta, isto é, o tempo necessário para que se reduza à metade de sua quantidade inicial é muito pequeno. Sendo assim, o prazo de trinta dias depois da aplicação recomendado pelo fabricante para que o pasto possa receber o gado é suficiente para que todo o 2,4-D se degrade completamente. Mesmo sob a desconsideração desta advertência, os riscos de se fazer chegar o agrotóxico às minhocas são muito improváveis. A situação extrema e hipotética de se aspergir o 2,4-D diretamente sobre o esterco e o recolher imediatamente para suprir uma minhocultura continua sendo inofensivo às minhocas: o tratamento durante quase um mês por que previamente deve passar toda matéria-prima da minhocultura para se converter em alimento de minhocas envolve o favorecimento de uma microfauna decompositora que, por conseguinte, também degrada completamente o herbicida 2,4-D.

Embora os testes ecotoxicológicos com o 2,4-D tenham sido feitos com duas espécies do gênero Eisenia, é muito provável que os resultados sejam mais drásticos com outras duas minhocas detritívoras também adotadas na minhocultura e que são sempre menos tolerantes às adversidades: a gigante-africana (Eudrilus eugeniae) e a violeta-do-himalaia (Perionyx excavatus).

No mercado brasileiro, há diversas marcas comerciais disponíveis à venda que tem o herbicida 2,4-D na formulação, seja puro ou misturado a outro tipo de pesticida: Tordon, Aminol 806 e Picloram são algumas delas. Todavia, as conseqüências à sobrevida, desenvolvimento e reprodução das minhocas ocasionadas pela associação de um segundo herbicida se diferem do que se descreveu anteriormente e seriam definidas conforme as particularidades dele.

 

Aplicado nas pastagens mais extensas geralmente por avião, o herbicida 2,4-D tem a finalidade de eliminar ervas daninhas de folhas largas que competem por luminosidade e nutrientes com espécies gramíneas usadas para o gado pastar: a recomendação máxima de dois litros por hectare do agrotóxico combate a infestação de guanxuma, mata-pasto, caruru-rasteiro e beldroega, principalmente.

Os fabricantes do 2,4-D recomendam que só leve o gado ao pasto tratado com o herbicida depois de trinta dias após a aplicação. Depois deste período, todo este agrotóxico se degrada completamente, anulando a possibilidade dos animais que tenham se alimentado com a pastagem tratada eliminarem o produto nas fezes.

 

O fator preponderante para a degradação do 2,4-D é a atividade microbiana, como a que é favorecida no tratamento da matéria-prima: bons níveis de umidade, alto teor de matéria orgânica, temperaturas não elevadas e alta porosidade nas leiras são condições favoráveis para atuação da microfauna decompositora e, por conseguinte, para a degradação do agrotóxico que eventualmente estivesse presente no esterco.

 

Afrânio Augusto Guimarães – zootecnista / MINHOBOX
Jornal da Minhoca - edição 63 - Agosto de 2011
Atualizada em dezembro de 2018
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