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Boletim da Minhoca

Gigante x minhocuçu

  • Gigante x minhocuçu
  • Sou pescador acostumado a usar os minhocuçus como isca viva. A gigante-africana é uma minhoca que pode substituí-los nas minhas pescarias?
    Tiago Sell - Guarapuava, PR

O confronto entre a gigante-africana e os minhocuçus como sendo as principais opções de minhocas no Brasil para o uso de isca viva para pescaria se deve respaldar nos seguintes parâmetros:

Dimensões

Considerando o sufixo “açu” como indicador de grandeza na língua indígena tupi-guarani, minhocuçu significa minhoca grande. Convencionou-se a designar de minhocuçu qualquer espécie de minhoca que, quando adulta, atinja o comprimento igual ou superior a trinta centímetros.

O minhocuçu-mineiro (Rhinodrilus allatus), minhoca endêmica do cerrado do Vale do Paraopeba, em Minas Gerais, chega a medir um metro e sessenta centímetros de comprimento e treze milímetros de espessura e é a espécie de minhocuçu mais comercializado no Brasil como isca para pesca.

O nome “gigante” dado à espécie africana Eudrilus eugeniae, utilizada largamente na minhocultura comercial, se deveu comparativamente ao seu comprimento superar ao da vermelha-da-califórnia (Eisenia andrei), espécie cosmopolita bem menor e a mais adotada no mundo em projetos de reciclagem de resíduos orgânicos.

Embora possa atingir cerca de cinqüenta centímetros de comprimento, a espessura da gigante-africana é quase inalterável depois de atingir a maturidade: os primeiros cinco centímetros do corpo medem quase um centímetro de grossura, mas vai se afinando consideravelmente à medida que se aproxima da cauda. A espécie de peixe a ser capturada vai eleger o tipo e o tamanho de anzol a ser utilizado que, por sua vez, vai definir a gigante-africana ou o minhocuçu como sendo a espécie de minhoca a ser adotada na pescaria, levando-se em conta as suas dimensões.

Consistência

Adaptado para se deslocar em solos compactos e ressequidos, o minhocuçu possui o tegumento espesso e resistente. Quando ativa, esta minhoca precisa estar permanentemente alimentada e com o intestino, que equivale a mais de oitenta por cento do comprimento do corpo de qualquer minhoca, sempre preenchido com terra para absorver continuamente o pouco de matéria orgânica que possui o solo mineral, o meio onde vive. Estas duas condições de pele grossa e intestino cheio de terra lhe conferem um corpo consistente, uma particularidade interessante aos pescadores: a isca fica mais bem fixada ao anzol e não se desprende dele facilmente com o simples beliscar de peixes menores.

Em contrapartida, a superfície do solo abundante em resíduos orgânicos em que vive a gigante-africana definiu a moleza de seu corpo: a pele desta minhoca é fina, porque não é necessário ser espessa para se movimentar em um substrato naturalmente poroso, e o intestino está sempre parcialmente vazio, porque a ingestão menor de alimento já lhe deixa nutricionalmente sustentada.

Atratividade

Sempre que exposta à claridade, a gigante-africana reproduz naturalmente uma iridescência em seu dorso que lhe deixa mais visualizável aos peixes. Esta oscilação atraente das cores do arco-íris não se apresenta na pele dos minhocuçus que é pigmentada uniformemente em vermelho amarronzado. A quietude característica dos minhocuçus os deixa menos atrativos aos peixes em relação à gigante-africana que é naturalmente mais agitada, especialmente depois de enfiada no anzol.

Conservação

Sendo espécies endogéicas, os minhocuçus se adaptaram a viver em solo compacto e mais profundo, lhes tornando mais tolerantes à baixa oxigenação típica deste meio. Esta propriedade assegura a sobrevida destas minhocas confinadas no transporte até o local da pescaria em embalagens pouco arejadas.

Nos períodos secos do ano, os minhocuçus se recluem individualmente em câmaras subterrâneas, onde se enovelam e passam meses em hibernação até a chegada das primeiras chuvas. Depois de coletadas de seus habitats, estas minhocas se tornam similarmente quiescentes e permanecem emboladas em dezenas de exemplares. Elas se mantêm sobreviventes por muito tempo sem substrato em panelas de barro ou em pequenas bolsas de pano, os tipos de embalagens que usam para vender e transportá-las.

Analogamente, as possibilidades de conservação da gigante-africana são muito menores: como espécies epigéicas e de metabolismo intenso, esta minhoca requer oxigenação ampla, não tolera a concentração elevada de indivíduos e nem sobrevive sem substrato. Todas estas exigências restringem o tempo de embalagem e da sobrevivência desta minhoca por muito tempo.

Permissibilidade

A extração, o transporte, o comércio e o uso dos minhocuçus são práticas legalmente proibidas por se tratar de animais que compõem a fauna silvestre do Brasil. Como não são criados em cativeiro e tampouco há criadouros legalizados desta espécie, todos os exemplares de minhocuçu encontrados à venda são produtos da captura indiscriminada da natureza.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA), dentro de suas possibilidades, estabelece a fiscalização em conformidade com a Lei Federal n. 5.197/1967, a Lei Federal n. 9.605/1998 e o Decreto federal n. 3.179/1999 que prevêem prisão do infrator e multa por unidade, que pode se multiplicar em dez vezes, se a espécie for ameaçada de extinção e constante na lista da CITES, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção, da qual o Brasil faz parte. Mesmo com a restrição e fiscalização progressivas do IBAMA, o tráfico ilegal de minhocuçus é comum à beira de estradas que ligam a rios e represas de pesca intensa, em lojas de artigos para pesca e até pela Internet.

A gigante-africana, entretanto, é uma minhoca alóctone, originária do continente africano, e já faz parte da lista de espécies que compõem a fauna doméstica brasileira. Como o canário-belga e o porquinho-da-índia, por exemplo, a gigante-africana pode ser criada e vendida sem licenças especiais do IBAMA.

Entende-se que, até se lograr êxito na procriação dos minhocuçus e legalizar criadouros desta espécie silvestre, a proibição do comércio seja conclusiva na escolha entre uma e outra minhoca para servir de iscas numa pescaria: mesmo que não supere o comparativo com os minhocuçus, a gigante-africana, no momento, é a isca que se pode usar.

 

A minhoca mais comercializada como isca no Brasil é o minhocuçu-mineiro, endêmico do cerrado do Vale do Paraopeba, MG, que pode medir mais de 1,5m de comprimento.

 

O grau de exigências para a sobrevivência das minhocas no transporte e durante a pescaria determina o tipo de embalagem: para a gigante-africana, um balde com respiradouro na tampa contendo substrato de acondicionamento, e para os minhocuçus, uma simples e pequena bolsa de pano.

 

A consistência do corpo das minhocas é uma adaptação que obtiveram as espécies conforme o meio em que se especializaram a viver: um minhocuçu (à direita) é mais consistente porque precisa se deslocar e perfurar solos duros e secos, e a gigante-africana (à esquerda), mesmo molenga, se movimenta bem na superfície do solo, formada por restos orgânicos em decomposição, tipicamente porosa.

 

Afrânio Augusto Guimarães – zootecnista / MINHOBOX
Jornal da Minhoca - edição 71 - agosto de 2015
Atualizada em fevereiro de 2020
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